Her - Um Filme Sobre Nossos Relacionamentos de Hoje e Amanhã

Uma dica de cinema sempre vai bem e esta é uma que preciso compartilhar. Tive a oportunidade de assistir o filme “HER - ELA” com Joaquin Phoenix e Scarllet Johansson dirigidos por Spike Jonze e foi uma feliz surpresa. Quando li a resenha do filme, percebi que queria assisti-lo, mas a experiência foi muito melhor.

O filme trata do relacionamento entre um homem e seu novo Sistema Operacional, que possui a habilidade de sentir e perceber as necessidades do seu usuário; uma relação entrópica em que ele acaba se apaixonando por ela (o SO possui voz feminina) profundamente.

Ao assistir o filme, pude perceber um drama com as características tradicionais do cinema, mas com um volume muito mais denso de questionamentos. Se “City of Angels - Cidade dos Anjos” trata de perda e do relacionamento de pessoas, de almas gêmeas com raças diferentes, ceder em nossas atitudes e sobre perda; “HER” consegue fazer o mesmo com um homem e uma máquina.

Para mim o filme pareceu bastante denso e acho que vou assisti-lo mais algumas vezes por que muitas questões surgiam na minha mente enquanto estava imerso nele. Pensei nos meus relacionamentos, imaginei um futuro próximo e totalmente palpável, mas para muitos pouco palatável.

Hoje nossos relacionamentos estão muito mais constantes com os nossos PCs do que com as pessoas de carne e osso que amamos. Conte nos dedos quantas horas você passa no seu computador e compare com as horas de qualidade em que está com pessoas; é fácil perceber a diferença de atenção que temos, e principalmente a diferença de foco em cada um destes. Tenho certeza que se seu SO tivesse voz, você estaria conversando com ele agora sobre isto.


Podemos ver no filme uma realidade não muito distante em que a forma com que utilizamos os computadores irão mudar; cada vez menos teclados e mouses… cada vez mais voz e o toque. Som e tato é como nos relacionamos com humanos. A conexão humano-computador está cada vez mais perto da humano-humano. 

Fiquei bastante incomodado com o que vi, de uma forma boa. Vi o que está acontecendo hoje e o que vai acontecer amanhã. Estou preocupado em como será a aceitação das pessoas no futuro. Todos somos de alguma forma mesquinhos em relacionamentos, por mais que pensemos no outro. Eu tenho a dificuldade de tanto pensar em fazer o bem para o outro que esqueço de perguntar o que esta pessoa quer, fazendo-me pensar mais mim do que nela por isto. No filme (nada de spoillers eu prometo!) este lado mesquinho dos companheiros aparece.

Quão grande é a sua capacidade de amar e ceder? Pense nisso ao ir para os cinemas ver este drama que mexeu profundamente com a minha cabeça. Tenho absoluta certeza que muitos sairão horrorizados do filme, sentindo asco de todos os personagens. Veja o filme com os olhos, sinta no coração e analise com lógica. Um drama em que a lógica é colocada lado a lado com a paixão e o amor. “HER” não é uma ficção científica ou um filme tecnologia; ele é bastante sensível incorporando recursos tecnológicos no dia a dia dos protagonistas e nos diálogos, mas ele fala sobre comunicação e conexão. Até Carl Sagan é citado de maneira cotidiana!

Estou escrevendo esta pequena nota uma hora após tê-lo assistido e a digestão dele com certeza ainda não acabou. Percebo um filme similar a “Eternal Sunshine of a Spotless Mind - Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembrança”, que encanta, intriga e incomoda o espectador. Você pode ama-lo, odia-lo, nunca mais desejar vê-lo, mas certamente terá algo que este filme fará com sua vida, basta querer verdadeiramente assisti-lo e absorve-lo.


O que eu disser daqui para frente será spoiller, portanto por aqui pararei. Assistam e repensem seus relacionamentos. Cedam antes que seja tarde demais.

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