Política Internacional: Presidenciáveis e Sua Confiança Mundial

Ontem à noite, na volta para casa, escutei na CBN uma entrevista com o candidato a presidência da República José Serra que tratava do acordo mediado pelo Brasil e a Turquia com o Irã e fiquei espantado com as afirmações. Fiquei pensativo sobre a falta de tato e inteligência na política, e na inexistente coragem do jornalismo.

O comentário do candidato tucano, como não podia deixar de ser já que é candidato da oposição, foi contra o acordo e destacou que o Brasil não pode ter confiança no país do Presidente Mahmoud Ahmadinejad. Detalhe: a falta de confiança é no PAÍS, não no seu líder.

Politicamente Serra posicionou mais uma vez sua candidatura para todos aqueles que não estão contentes com a situação atual do país. O Marketing quer colocá-lo em uma posição diametralmente oposta em temas polêmicos e aproximá-lo da criação do que foi bom neste período de governo do Presidente Lula. A estratégia é sensacionalmente simples e brilhante, dividir a população entre o “time sem camisa” e “time com camisa”, como em qualquer pelada na várzea. Porém Serra acabou ficando contra todos os descendentes iranianos no Brasil (ele não confia no país, portanto em seu povo) e deixou uma questão aberta em política internacional: será que vencendo a eleição ele manterá os acordos fechados por Lula?

Jornalisticamente a questão é com o que vejo entre os Comentaristas. Ninguém até o momento questionou a afirmação do ex-governador de São Paulo. Para mim a questão é clara: se não confiamos no Irã, por que devemos confiar em Israel que atacou covardemente em águas internacionais um navio pacifista que levava alimentos para os palestinos na Faixa de Gaza? Entre os Comentaristas internacionais como não surge dúvidas armamentistas contra Russos, Americanos, Indianos e Israelenses? O único país do mundo que temos desconfiança é o Irã?

Será que o problema seria a Copa do Mundo; o foco das preocupações mundiais mudaria por isso?

Muitas dúvidas, poucas respostas e pouca atitude. Isto são os fatos.

enfim… boa copa.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gabriel, eu ia só te mandar um link sobre um relato de uma médica do IDF, mostrando que essa história de que a "flotilha era pacífica e covardemente atacada por Israel" é conto da carochinha. Está aqui.


Mas, respondendo a sua pergunta: eu confio em Israel pq nunca um primeiro-ministro israelense defendeu que o Irã seja "varrido do mapa". A recíproca não é verdadeira.

Sendo um país tão abundante em petróleo que é, o Irã não tem necessidade de desenvolver usinas nucleares. O investimento não compensa. Logo, devemos questionar quais são os "fins pacíficos" que levam o Irã a querer urânio.

E a falta de confiança no PAÍS não quer dizer falta de confiança no povo. É falta de confiança nos seus líderes políticos, nos seus Aiatolás, nos representantes do Estado, etc. Existe uma diferença entre "país" e "nação".

É isso aí. Abraços.