Há com sentido de tempo

Há anos observo as pessoas.

Esta primeira observação parece estranha, mas é primeira que deve ser feita sobre os humanos, afinal muitas vezes eles não observam, apenas olham. Gosto muito desta palavra observação; ela destaca algo, faz com que enxergue-se uma determinada informação, objeto ou ser vivo.

Quero me ater ao que enxergo sobre homens e mulheres.

Seres maravilhosos inicialmente. Máquinas orgânicas que surgiram de uma caótica perfeição, dotados da capacidade de amar e a habilidade de criar. Animais, racionais, que por vezes não pensam, mas desenvolvem aparatos através de um raciocínio prodigiosamente insano.

A mulher dúbia como somente ela, olha para o todo.
O homem obtuso como ninguém, olha para a parte.

Esta equipe compòe sempre a parte e o todo de qualquer construção fisica ou mental humana.
Um grupo que possui todas as características para não funcionar, mas funciona, até quebrar.

Há horas atrás entendi que meu papel não é compreender, mas questionar. Questionar que observo o que as pessoas olham e não enxergam o que procuravam ver. Estes seres escolhidos pela natureza como o topo da cadeia alimentar desaprenderam a usar seus sentidos de caça, principalmente a visão, o sentido mais usado e o menos respeitado. A forma humana de contactar o mundo.

Veja o tempo. Uma confusão tremenda entre sensação e observação.

Tempo não se vê; sente-se.
Porém posso ver o tempo nas rugas cravadas no rosto de uma velha anciã sofrida.

O tempo marca o quanto vamos ver da vida. Essencialmente cada ano que passa estamos mais próximos da morte, não importa quando ela ocorra.

Mas não enxergamos isto. Vêmos um anos de alegria ou tristeza, prosperidade ou pobreza; uma chance extra de refazer o que erramos.

Este é o ser humano.
Este é você.

Um caleidoscópio de fartura para a vida. O periscópio do mar mais turvo. A verdadeira vontade de acontecer.

Você e eu.

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